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A inovação e a produtividade na Indústria 4.0

Experiências e formas de melhoria de produtividade com a transformação digital.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil terá que acelerar seu crescimento e aumentar sua produtividade para ser competitivo em termos internacionais visto que nossa produtividade total de fatores (PTF) da indústria permanece estagnada desde 1996. A adoção de tal agenda implica obrigatoriamente na transformação digital das organizações e no desenvolvimento de pessoas para as novas tecnologias.

Mas o cenário é promissor face à expectativa de crescimento econômico e retomada dos investimentos externos que parece tomar corpo à medida que a economia dá sinais de recuperação. Nesse sentido, em matéria da Folha de São Paulo, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a digitalização dos processos produtivos deve passar de 1,6% para 21,8% em 2027. Para ilustrar essa tendência com um exemplo que vai além do óbvio, a indústria em geral caminha para reduzir o capital empregado em peças de reposição de seus maquinários por componentes impressos em 3D com mesmo material, geometria e funcionalidade.

Ainda conforme a mesma reportagem citada, alguns setores já saíram na frente liderando a corrida tecnológica, são os de bens de capital (máquinas e equipamentos), agroindústria e automotivo, mas pelo menos 14 dos 24 segmentos da indústria brasileira necessitam iniciar com urgência iniciativas da indústria 4.0 para tornarem-se competitivos no cenário internacional. A indústria de alimentos e bebidas vem sinalizando essa preocupação com a tecnologia, nossa experiência confirma que fábricas que adotam tecnologias de ponta, embora ainda não completamente integrada aos conceitos da digitalização, apresentam custos de transformação cerca de 30% abaixo das empresas consideradas com 3.0 pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Essa redução de custos chega a 65% quando comparados com produções mais defasadas.

O grande desafio é como fazer a atualização ou melhoria dos processos com investimentos que não sejam proibitivos e que apresentem retorno num prazo razoável. A resposta vem com a abertura das corporações para inovações, sejam essas incrementais ou disruptivas. Incrementais como a integração dos sistemas MES (Manufacturing Execution System) com os ERP (Enterprise Resource Planning), tornando os dados relativos à produção acessíveis e intercambiáveis para toda a organização, e disruptivas como a adoção de veículos autônomos para abastecimento de insumos ou componentes em linhas de produção.

No intuito de ganhar velocidade no processo de inovação e acesso às novas tecnologias, bem como tornar os custos suportáveis, as empresas estão lançando iniciativas junto aos ecossistemas de desenvolvimento, quer seja abrindo-se para startups ou realizando parcerias com Universidades e incubadoras, quando não criando iniciativas ou ambientes para coworking, o que possibilita desenvolvimento de profissionais e soluções para oportunidades de melhoria na própria empresa.

Outra prática que tem se apresentado viável trata-se da abertura de desafios internos para o intraempreendedorismo, permitindo a formação de equipes (ou squads no dicionário da inovação) para a criação de soluções a partir de problemas ou oportunidades. Nesse sentido, temos uma experiência inicial gerada a partir de uma necessidade de integração da telemetria de poços artesianos onde não havia acesso via wifi ou outra tecnologia. Lançadas as cotações, não encontrarmos o payback desejado nos fornecedores tradicionais ou mesmo nas startups. Nesse momento, lançamos a solicitação internamente e a equipe formada por jovens engenheiros e estagiários criou uma placa conectada a um raspberry pi integrando os dados via cloud e com o uso de data analytics com um investimento irrisório. A solução funcionou, a organização está satisfeita e a equipe com brilho nos olhos, mergulhada em novos desafios.

Dessa experiência surgiram outras e hoje temos uma área responsável por soluções industriais ligadas ao intraempreendedorismo que vem adquirindo cada vez mais destaque com entregas rápidas, satisfatórias tecnicamente e, principalmente, com redução de custos e retorno financeiro para a organização.

O Brasil deve acelerar a transformação digital, e a indústria de alimentos e bebidas, que responde por 9,6% do PIB Brasileiro, precisa assumir papel protagonista neste processo. A dica fica para a necessidade de aproximação com os participantes do ecossistema de inovação visando a identificação de alternativas que sejam viáveis economicamente e que gerem efetivamente resultados em produtividade.

* Alaercio Nicoletti Junior é Gerente Corporativo de Qualidade e Melhoria Contínua, do Grupo Petrópolis, Doutor em Engenharia, Professor da Escola de Engenharia do Mackenzie e colunista da Fispal Tec Digital. 

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