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O pensamento científico e a competitividade

Uma reflexão sobre o pensamento científico nas organizações e como, de uma forma silenciosa, ele diferencia empresas em termos de competitividade

Em minhas sugestões de inspiração publicadas no final do ano, fiz meus votos a partir de citações de líderes e gurus admiráveis como Jack Welch, Ram Charan e Chieko Aoki. Quero iniciar 2019 recapitulando uma das frases destacadas, especificamente a de Peter Drucker: “As pessoas mudam ao longo da vida. Tornam-se pessoas diferentes com necessidades diferentes, capacidades diferentes, perspectivas diferentes e, consequentemente, com necessidades de ‘se reinventarem’”. O mesmo vale para as empresas, mas tanto no individual quanto no coletivo, o desafio é transformar-se de maneira a gerar valor e, consequentemente, competitividade.

Em tempos de internet das coisas, realidade aumentada e machine learning, dentre outras, a certeza que temos é de que as mudanças ocorrerão, só devemos ser perceptivos, científicos e persistentes assim como Dom Pérignon, que a partir da observação, estudos e experimentos num processo frustrado do vinho criou a Champagne.

Esse tema é também recorrente nas organizações. Um exemplo pode ser o de Jack Welch ao manter somente os negócios líderes ou vice-líderes em seu setor, ou mesmo medindo os colaboradores e abrindo mão daqueles de menor desempenho. Tais posturas certamente criaram a necessidade de reinvenção tanto para as suas unidades de negócios quanto para seus colaboradores, fomentando o desenvolvimento com foco na competitividade.

Algo que tanto Pérignon quanto Welch perceberam, é que não há mudança consistente sem o Pensamento Científico, mas, pela sua sutilidade, muitos ainda não perceberam que as corporações que ditam as inovações, tendências e modas são aquelas que levam a sério sua aplicação. Ambientes inovadores como o Vale do Silício nascem geralmente próximos a locais que investem em talentos e, consequentemente, valorizam a pesquisa científica.

O Pensamento Científico pode ser observado no famoso PDCA de Walter A. Shewhart e difundido por Deming, ou, como eu costumo usar, traduzindo-o num simpático diamante composto por quatro vértices (é fácil imaginá-lo): Identificar – Analisar – Melhorar – Padronizar. Justifico o diamante porque, na prática, poucos sabem caracterizar as etapas Plan, Do, Check e Act do PDCA, além de deixar claro que ações como treinamentos e confecção de procedimentos, que aparecem na maioria dos Planos de Ações nas empresas, são fundamentais mas fazem parte do Padronizar e não do Melhorar.

Basta visitar o site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) ou observar a fundo como atuam as organizações consideradas inovadoras para identificar que existem diversos benefícios fiscais atrelados a parcerias entre corporações e universidades, ou para projetos bem documentados segundo os métodos científicos.

O fato é que empresas consolidadas no mercado já identificaram que a necessária reinvenção deve vir a partir do Pensamento Científico e tem colhido benefícios com isso, sendo o método o mesmo, quer o vistamos com a roupa do tradicional PDCA ou com a do Design Thinking. A velha frase de Thomas Edison “Eu não falhei, apenas descobri 10 mil maneiras que não funcionam” ainda é 100% válida, só a velocidade dos experimentos é que aumentou.

A verdade é que o Novo Ano começou e agora é colocar em prática todos os sonhos idealizados, mas usando o Pensamento Científico para sermos mais inovadores, eficientes e competitivos.

Feliz Ano Novo, com muito Estudo, Experimentação e Sucesso!

* Alaercio Nicoletti Junior é Gerente Corporativo de Qualidade e Melhoria Contínua, do Grupo Petrópolis, e colunista da Fispal Digital.

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